Um anaco da História da Galiza: a
História do nacionalismo galego
por
Iria Macinheiras
O contexto
Após do fracasso da I República, na Galiza tenhem lugar três factos:
a) Reactivaçom do
provincialismo
e apariçom do regionalismo.
b) Apariçom de um
galeguismo que defende os velhos valores do Antigo Regime.
c) Nasce o federalismo.
Aparecem as primeiras publicaçons galegas: El Heraldo Gallego, O Tio
Marcos da Portela, La Propaganda Gallega, Revista Galaica,
Diario de Santiago, La Ilustración Gallega y Asturiana (na que
trabalhará Murguía). Estas publicaçons criticarám a Restauraçom e reivindicarám
a defesa dos interesses gerais da Galiza junto com a ‘uniom natural dos galegos’
criando umha representaçom parlamentar que faga possível o desenvolvimento de
umha política galega.
O ano 1886 é considerado como o do nascimento do regionalismo galego, e
baseiam-se nos seguintes factos:
- Publicaçom do livro
Los precursores, de Manuel Martínez Murguía.
- Amossa-se a Galiza como
diferente politicamente e considera-se como umha naçom.
O
regionalismo. Tipologias.
Como muitas outras, esta tendência nom foi homogénea, e houvo três concepçons de
regionalismo: o
federalista, o tradicionalista e o liberal.
O
regionalismo federalista: tentou procurar como base social
o campesinhado e os sectores mais radicais da burguesia. Contou com Aurelio
Pereira como líder e com a publicaçom El Regional como vozeiro das suas
ideias. Acabaria-se fundindo com o regionalismo liberal.
Politicamente denunciava a
uniformidade legislativa e administrativa, o centralismo, o caciquismo e a
promoçom social por ter nascido em determinado berze. Era um radicalismo
democrático que via a Galiza como umha regiom pertencente à Naçom Espanhola.
Aliás, pretendia a redençom de foros, baseando-se no cooperativismo, na
industrializaçom e na modernizaçom económica da Galiza.
O regionalismo tradicionalista
definia-se por um catolicismo integrista no eido religioso e um retorno ao
passado no político (volta à situaçom anterior à Revoluçom Burguesa). O seu
melhor exponente seria Alfredo Brañas quem defenderia a velha ordem
político-social e se oporia ao mundo moderno, ao capitalismo, ao liberalismo e à
industrializaçom
[...+...].
Com a apariçom da
revoluçom social igualitarista, do marxismo, do anarquismo e do colectivismo; o
regionalismo tradicionalista pretendeu ressuscitar a tradiçom: o catolicismo e a
resignaçom cristás no pensamento e no sentimento dos homens; a defesa de umha
democracia corporativa no plano político; e no plano sócio-económico, umha volta
ao corporativismo gremial e ao regime pré-capitalista da propriedade da terra,
junto com umha ressurreiçom dos privilégios para os antigos possuidores (nobreza
e clero).
O regionalismo liberal
tivo em Manuel Murguía o seu máximo exponente. A sua ideologia política
baseava-se numha procura de cambiar as formas políticas do Antigo Regime, no
liberalismo, na regeneraçom (mas de um jeito menos combativo) da sociedade, na
modernizaçom, no historicismo, na defesa das liberdades colectivas dos
organismos históricos e na defesa das liberdades individuais.
Murguía comparava as
naçons com organismos vivos que luitam por sobreviver e situa sempre a raça em
primeiro lugar. Murguía vê que a Galiza é umha naçom (embora só lhe chame
regiom) e pretende modernizá-la económica e politicamente e
acadar a democracia. Para ele o campesinhado é a base social e rechaça o
independentismo
[...+...].
Polo geral, todos os regionalismos pretendiam defender os interesses
gerais da Galiza. Aparecerám as primeiras publicaçons periódicas em galego e as
primeiras editoriais galeguistas: Librería Gallega e Biblioteca
Gallega. As três tendências regionalistas estavam mais ou menos unidas,
ainda que existia tensom entre liberalistas e tradicionalistas.
Com a marcha de Pereira a Madrid remata o regionalismo federalista. Brañas
fará-se carlista e fundará a Liga Gallega de Santiago. Murguía fundará a
Liga Gallega na Crunha.
O segundo regionalismo só fica em pé com a Liga Gallega da Crunha, pois a
de Santiago de Compostela desaparecerá. O regionalismo federalista também
esmorecerá. Mentres, a Galiza sofrerá a crise finisecular e a apariçom do
agrarismo. Começa a emigraçom masiva. No seu do agrarismo fundará-se
Solidaridad Gallega
para regenerar a Galiza, ainda que a resposta urbana
nom foi positiva.
A génese do galeguismo. As Irmandades da Fala.
O 5 de janeiro do ano 1916, Antón Vilar Ponte defende em La Voz de Galicia
a criaçom dumha
Liga de Amigos do Idioma Galego e publicará O nacionalismo galego,
onde assinala que a língua é a base da nacionalidade, e pretende unir a todos os
galegos pola Galiza. O 18 de maio do mesmo ano criará-se a Irmandade de
Amigos da Fala, que se estenderá polo resto do país. O que se pretendia era
espalhar os usos oral e escrito do idioma galego, defender a nossa cultura e o
passado da Galiza. Este galeguismo chegará até a imprensa.
Aparecerá A Nossa Terra, vozeiro das Irmandades da Fala, cambiando
a propaganda cultural por propaganda política. As Irmandades da Fala
associárom-se com o nacionalismo catalám, ainda que acabariam por romper a sua
relaçom. Resumindo:
1.A Igreja católica perderá o controle ideológico do galeguismo.
2.Os regionalistas laicos desaparecerám.
3.Unirám-se as tendências liberal-democrática e a católica-tradicionalista.
Do galeguismo ao nacionalismo e evoluçom desde II República até a II Restauraçom
Borbônica.
Desde o nascimento do nacionalismo até a sua consolidaçom podemos distinguir
quatro períodos:
1º) Nacionalismo de Base
(1915-1936).
2º) Nacionalismo na II
República espanhola (1931-1936).
3º) Nacionalismo na Guerra
Civil e na Pós-guerra (1936-1960).
4º) Nacionalismo actual
(desde o franquismo até hoje).
A base do
nacionalismo:
Em 1920, Vicente Risco
[...+...]
publica a Teoria do nacionalismo galego, onde se recolhe que a naçom é um
facto
natural, biológico e independente da vontade dos homens. Tamém salienta
que a terra e a raça dam lugar a umha língua e cultura próprias. Entom, segundo
ele, nom existe a naçom espanhola, senom um conjunto de naçons. Isto
seria a base das três tendências nacionalistas:
a) Neo-tradicionalista
(Losada Diéguez):
- Concepçom católica do
mundo-
- História e naçom:
determinismo geográfico e importância do passado dos galegos.
- Defesa da tradiçom.
- Inexistência de
burguesia e de proprietários.
- Procura de um futuro
próspero.
b) Liberal-democrática
(Lugrís Freire, Ribalta, os irmáns Carré Alvarellos...):
- Visom da naçom como um
ente determinado pola História e pola Natureza. A História é movida polo desejo
de acadar um ideal de justiça e liberdade.
- Liberalismo e democracia
face o autoritarismo.
- Aposta polo progresso e
polo reformismo. Defesa dos direitos da mulher, resoluçom dos problemas
derivados do regime de propriedade da terra (aposta pola generalizaçom da
propriedade da terra para o campesinho), industrializaçom, cooperativismo,
reforma fiscal, criaçom de umha banca pública e modernizaçom das
infra-estruturas.
- Populismo ilustrado para
formar umha cidadania culta.
c) Independentista e
socialista:
- A Galiza nom lhe
pertence à Espanha: a independência da naçom como soluçom.
- O socialismo como
ideologia política, económica e social.
O nacionalismo na II República (1931-1936):
A chegada da II República espanhola favoreceria a apariçom de projectos
políticos que pudessem competir com o nacionalismo espanhol que inçava ainda os
eidos cultural, social, político, etc. O cinco de dezembro do ano 1931, o
Partido Galeguista da Ponte Vedra acordou em assembleia a fundaçom de um partido
nacionalista unificado, o Partido Galeguista. As suas directrizes seriam:
a) Autodeterminaçom
política no seu da República (espanhola).
b) Referendum, democracia
directa e revocabilidade dos carregos públicos.
c) Anti-imperialismo,
pactismo e federalismo.
d) Igualdade de direitos
para a mulher.
e) Autonomia municipal.
f) Incapacidade política
para os que ‘nom rendessem’.
g) Co-oficialidade do
galego e do castelhano na Galiza.
h) Reforma agrária.
i) Reconhecimento dos
direitos sindicais.
O PG foi quem de elaborar um programa político de síntese que nom variou nos
seguintes anos. Os representantes do PG presentariam-se às eleiçons estatais
dentro da formaçom ‘Frente Popular’ (que aglutinava todas as forças de esquerda
do Estado). Os fundadores do PG fôrom intelectuais (como Castelao
[...+...]),
funcionários, liberais... Será no 1936 quando se funde a ‘Unión Socialista
Gallega’. Os campos nos que actuou o nacionalismo fôrom:
a) A organizaçom de
mocidades (como fazem hoje a maioria de partidos políticos).
b) Organizaçom de grupos
de excursionistas e conjuntos desportivos para a difusom do nacionalismo.
c) Criaçom de instituiçons
científicas galeguistas.
d) Imprensa própria: A
Nossa Terra, Heraldo de Galicia.
Umha constante no nacionalismo galego seria a sua divisom em duas vertentes, a
culturalista e a política. Polo geral a primeira das manifestaçons ia associada
ao medo (como no caso de Vicente Risco).
O nacionalismo na Guerra Civil espanhola e na Pós-guerra (1936-1960):
No 1939 pouco quedava já do PG, posto que ou bem o exílio ou bem a morte dos
seus dirigentes deixaram mui mermada a capacidade de actuaçom desta formaçom
política. Tanto o nacionalismo como as suas actividades fôrom clandestinas até
1943, data em que se celebrou umha juntança entre os seus ex-membros
(galeguistas independentes), que
no futuro seguiriam duas vertentes: umha delas, republicana; a outra
consistiria na formaçom de umha plataforma conjunta com os nacionalistas bascos
e cataláns, com os que se chegaria a um pacto (o Galeuzca
[2]
) com o que
se pretendia instaurar umha república federal espanhola (ou hespanhola,
como diria Castelao) ou bem a promulgaçom de estatutos de autonomia para estas
três naçons.
O fracasso apoderou-se do galeguismo, sentimento comum a todas as forças
anti-franquistas. A renovaçom da estratégia e a adopçom de umha postura
apolítica e culturalista tratou de erguer o movimento, mas nom seria aceitada
polos exilados, já que a produçom cultural era majoritária (no seu do
movimento), e via-se como umha traiçom.
Esta cultura será a base do pinheirismo (que recebe o seu nome de Manuel
Piñeiro), um galeguismo através da cultura, renunciando à formaçom de partidos
políticos exclusivamente nacionalistas, e que monopolizaria o galeguismo num só
partido. Objectivos:
- Superaçom do
nacionalismo.
- A Galiza teria de formar
parte de Europa de acordo com os demais povos da Península.
Segundo os pinheiristas, a Galiza nom poderia sonhar com a independência, posto
que se bem era um povo com umha personalidade própria, nom era umha naçom. A
aspiraçom deste movimento é o federalismo ibérico e no limite, umha federaçom
europeia.
O pinheirismo pretendeu formar umha elite comprometida, mas sem ter de defender
o nacionalismo. A mediados dos cinquenta, um fato de moços universitários em
Compostela que escreveriam em La Noche formariam um colectivo com umha
conduta mista de galeguismo, pinheirismo e marxismo.
O nacionalismo actual. Desde o franquismo até hoje:
A fins dos ’50, um grupo de estudantes de esquerdas (marxistas e contrários ao
pinheirismo) formárom o grupo Brais Pinto
[3] . A partir daqui criou-se o Conselho da Mocidade para lhe dar
umha nova orientaçom ao nacionalismo galego, mas a sua heterogeneidade
conduziria-os à ruptura.
Com anterioridade, membros de Brais Pinto formaram a Uniom do Povo
Galego (UPG), formaçom cuja refundaçom teria lugar no ’64 por estudantes
galeguistas, marxistas, nacionalistas e socialistas. A UPG reconhecia os
seguintes pontos:
1.- A Galiza tem direito à
sua autodeterminaçom.
2.- O povo galego dirigirá
a Galiza.
3.- Os meios de produçom
pertencem-lhe ao povo.
4.- Colectivizaçom.
5.- Formaçom de unidades
produtivas superiores.
6.- Colectivizaçom da
grande empresa capitalista.
7.- Formaçom de agrupaçons
de freguesias.
8.- Educaçom para o povo.
9.- O galego será o idioma
da Galiza.
10.- Uniom federativa da
Galiza com o resto de povos da Península.
· Etapas da UPG:
1. 1ª etapa: poucos militantes e
dirigidos polos fundadores. Houvo umha penetraçom no mundo universitário,
dando lugar a mais afiliados. Exerceria-se umha actividade cultural de aparência
inócua, ainda que que nascêrom jovens nacionalistas que defendiam o culturalismo
e a política de esquerda.
2. 2ª etapa: a partir de
1970/71. Há umha nova definiçom de objectivos políticos, novas estratégias
específicas sectoriais. No ’71 haverá umha crise com a entrada de comunistas na
UPG. Após disto ampliará-se a actividade política até que no 1972 se veria a UPG
como o comunismo galego e até a morte de Franco, como a oposiçom galega.
· Evoluçom
ideológica da UPG: a UPG orientou-se cara o comunismo para luitar contra o
franquismo. Além disto, no eido estritamente nacionalista romperia com a velha
concepçom da Naçom (que estava formada pola língua, a cultura...) e estabeleceu
que a Naçom estava formada polas classes sociais que luitavam pola libertaçom
nacional galega. A UPG defendia a autodeterminaçom (que lhe permitiria à Galiza
decidir as suas relaçons com o resto de povos peninsulares) e que a Naçom Galega
teria de estar formada polas classes populares e a pequena burguesia.
O Partido Socialista Galego (PSG) nasceu no 1963 n’A Crunha, e reunia
jovens estudantes pinheiristas. Defendiam um nacionalismo democrático, umha nova
estrutura que permitisse a integraçom em Europa. Negava que o galeguismo fosse
um movimento político e era favorável ao federalismo. O seu presidente foi
Francisco Fernández del Riego (ex-presidente da RAG), e editarám a Galiza
Socialista. Ideias e objectivos:
- Umha sociedade
socialista e colectivista na Galiza.
- Galiza, umha naçom
geográfica e económica.
- Consideravam que a
Galiza estava economicamente subdesenvolta.
- Direito de
autodeterminaçom.
- Aspiraçom de ser
converterem num movimento de massas capaz de impulsar a luita sindical.
- O galego é a língua da
Galiza.
Até a fim do franquismo o PSG seria pouco activo e os mais novos aliariam-se à
UPG (muito mais combativa).
Quatro notas da autora [4]
:
1.
Os nomes de publicaçons, colectivos e formaçons políticas na nossa língua
passei-nos à normativa da AGAL (como A Nossa Terra ou o Conselho da
Mocidade), deixando o resto (como La Voz de Galicia ou Solidaridad
Gallega). Os nomes de pessoas do nosso país nom se galeguizárom (como
Alfredo Brañas ou Ramón Piñeiro), embora os seus derivados sim (como o
pinheirismo).
2. O trabalho remata aqui... de momento, porque
haverá umha segunda parte onde se dará conta do sucedido desde 1975 (criaçom do
BNG, consecuçom de representaçom parlamentar, a organizaçom do independentismo
[Nós-UP, FPG, AMI, Agir...], etc.).
3.
Desculpade os erros ortográficos,
morfológicos, etc., que poda haver neste trabalho. Ninguém é perfeito/a e eu
menos ;-) (o que conta, disque, é a intençom).
4.
Se atopades algum erro nos conteúdos,
enviade-lhes um correio electrónico à gente de Pensa Galiza para que me
contactem
(@qui).
[1]
O Partido Popular reafirmou em numerosas ocasions que o seu
galeguismo
bebia directamente de Alfredo Brañas e de Manuel Piñeiro (do que se fala
mais adiante).
[2]
Galiza, Euzkadi, Catalunya.
[3]
Entre eles, Xosé Luís Méndez Ferrín, co-fundador da UPG e candidato ao
prémio Nobel de Literatura pola Associaçom de Escritores em Língua Galega.
[4] E também nota de
Pensa Galiza: mui
obrigados a Íria Macinheiras polo seu trabalho. Aguardamos que chegue aginha
a parte final J.
www.galespa.com.ar